Um amigo Comunista de Tarauacá

MEUS 20 ANOS DE SONHOS. 

Me filiei no PC do B em junho de 1992 a pedido do amigo então vereador Luis Meleiro, desde então já são vinte anos, entrei ainda moleque em plena adolescência, naquela fase de estudante, do fora Collor, do voto aos dezesseis, dos caras pintadas, militei em todas as estâncias do partido, no movimento estudantil dirigindo a umes, UJS, o DCE da UFAC aqui em Tarauacá, dos diversos embates políticos, das diversas eleições, da até pra relembrar dos jingles políticos da época, (lá no campo e na cidade, agora vai votar no amigo de verdade, vote no 65 tecle o verde da esperança... ou essa outra: "é Jorge aqui com a gente e Marina com Lula lá...ou ainda essa: ta na hora da onça beber água, pra quem tem sede de justiça ta na hora...), do movimento social fazendo parte da associação de moradores do bairro da praia, do movimento sindical dirigindo o maior sindicato de Tarauacá o Sinteac por dois  mandatos, chegando inclusive a direção estadual dessa entidade, e fazendo parte da direção executiva do PC do B, hoje assumo a pasta de secretario de organização uma das mais importantes, mas já exerci outras como secretario de comunicação, sindical, de juventude e demais.
Sou o tipo de cara que sempre ajudou, nunca reclamei ou proporcionei algum tipo de problema ao partido, sempre militando e defendendo a opinião e idéias do meu glorioso PC do B, tinha aquilo como questão fundamental em minha vida, fato esse que por muitas vezes até colocava o partido acima de tudo, acima até de minha família, e olha que eu sou neto e vim de família de fundadores e dirigentes do PMDB de Tarauacá, mas, minha família via meu empenho no PC do B e hoje quase todos são militantes e filiados ao partido comunista, foi muito difícil convencê-los a vir para o partido.

Quando entrei no PC do B, entrei porque via naquele partido a luta pela melhoria de vida, a luta pela a igualdade, a luta por uma vida mais justa e melhor. Como era de uma família humilde via ali a oportunidade de futuro coisa que o grandioso MDB nunca me inspirou.

Já o partido tinha aquele brilho, aquela relação de amizade e companheirismo, era na época que agente tocava um violão, não era Professor Valder, ainda lembro-me da musica que ele gostava “FLOR DE CHEIRO NO CAMINHO NA BEIRADA DE UM RIO LIMPINHO...” tomava uma cachaçinha, realizávamos torneios, gincanas e passeios na zona rural, época em que por pouca coisa colocávamos um boca de ferro “carro de som para propaganda volante” na rua com um microfone e  realizávamos um ato publico, e olha que não tínhamos recursos para tal, mas tínhamos a vontade da mudança e os comerciantes ajudavam. Quem não se lembra da campanha “UM REAL PRO FEDERAL”, quando o Moises foi candidato a deputado federal para ajudar o partido no Acre, e de tabela massificar seu nome, tínhamos até uma barraca na praia no verão pra vender lanche, era tudo lindo, tudo bonito, tinha romantismo, tinha amizade, tinha igualdade, tinha amor ao próximo, tinha brilho, tinha juventude, em fim tinha sonhos.

Hoje 2012, já são vinte anos de utopia, na verdade já si passaram uma vida, meu filho mais novo já vai completar quatro anos, o mais velho já vai completar dezoito, aquele guri que existia naquele tempo hoje é pai de família tem pensões para pagar, filhos para criar, tem outros sonhos a realizar, meu filho mais novo fala em ser um policial o mais velho quer ser jogador de futebol, na verdade eles só querem mesmo uma oportunidade pra viver e também poder sonhar com um mundo melhor assim como Eu.
Às vezes me pergunto o que eu ganhei com isso! Por que lutar! Cresci amadureci, já estou ficando velho ou como dizem, de cabelos brancos e com os dentes caindo, e a utopia João Maciel! Bom os sonhos, há esses ainda existem, mas agora, aprendi a enxergar a realidade vi que este sonho chega, mas pra poucos nem todos podem desfrutar dele, Acho que acabou o brilho, a paixão ta morrendo, o amor já não existe mais.

Mas quer saber mesmo lá no fundo! A coisa ainda tem solução, talvez o sonho reviva, mas precisamos falar mais grosso, mudar de opinião sair do anonimato, chutar o pau da barraca, gritar independência, cortar na carne embora que vá doer, feridas saram! Ai sim o meu glorioso irá ressuscitar como um Godizila feroz, sedento de fúria, somente assim iria satisfazer Marx, Engel, Che, João Amazonas e demais...
O fato mesmo é que já não to mais apaixonado, perdi o tesão a excitação, preciso de um choque, preciso viver, e sem utopia não dá, “ideologia eu quero uma pra viver”.

Cadê os camaradas, os vermelhinhos? Rosinéia, Janilson, Dona Zefinha, Luzivan (curaba) nosso pintor de cartazes e faixas, Eliana, Pilha, Valdenisio, professor Accioly, Evaristo, Carlinhos do buleado, Valtemir mota, Jarbas, Ronivaldo, Rui pescoçin, cacique Naço e Tonho, Pelezinho, cadê os índios nossos eternos amigos e camaradas etc... Será que alguns si foram e não tiveram o direito também não é mesmo João Bosco, Chico crente, Valder...

Pensava Eu, que nesses meus vinte anos não andaria mais na lama, iria ver meus filhos terminando o segundo grau e entrando numa faculdade publica, tendo um emprego, pensava Eu, que a educação iria ser a menina dos olhos, que os trabalhadores rurais iriam ter transporte, que a saúde ia ter remédios muitos profissionais e atendimento de qualidade, pensava Eu, que não iria a um bar no centro da cidade e o DUDU, “menino de rua, deficiente, pedinte de Tarauacá”, não viria na minha mesa pedir pra engraxar meu sapato e pedir um real pra comer, pensava Eu, que nessa época atual quem roubasse o dinheiro publico iria preso pagar por seu crime, pensava Eu, que jamais iria ver o meu amigo João R. mendigando um emprego pra seus filhos, pensava Eu, que quando precisasse de algo, minha solicitação seria rapidamente atendida, pensava Eu, que haveria respeito, consideração, amizade com minha pessoa, pois ajudei também a construir, pensava Eu, que o “poder” podia ser compartilhado por todos, pensava Eu, que ser vigilante ou lavador de banheiro seria insignificante.

Na verdade acho que tudo é perdoável, só não entendo e quero entender, quem souber me ajude a entender o porquê que às vezes algumas pessoas que não participaram de sua vida, sabem reconhecer seu valor, tem consideração por você, bem mais do que as pessoas que estão mais próximas da gente, que lhe acompanharam, que convivem e conviveram com você.

Acho que vou acordar de novo, afinal agora são três da madrugada, não sei si durmo, ou contínuo sonhando, acho que vou acabar com essa besteira utópica e ver si meu filho ta bem, si não caiu da cama, que cama si ele dorme comigo e com a mãe dele!

Será mesmo que no final das contas tudo valeu à pena.

Recebi um convite importante de uma amiga hoje, poucos saberiam dizer não, Eu disse! Meu corpo, minha alma, meu ego, meu espírito, meu pensamento, meu sentimento de abandono, estavam dizendo sim, no entanto! meu coração vermelho disse não.

“Relato de um camarada comunista, que acordou na madrugada e não conseguiu, mas dormir! Que está se sentindo fraco, titubeando como diz o outro, precisando de um abraço companheiro, de palavras de incentivo ou até mesmo de um simples telefonema, afinal já inventaram o celular”.
 

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