Estudantes protestam contra a redução da maioridade penal

Nesta quinta-feira (16) a Ubes, a UNE e a ANPG realizarão uma marcha em Brasília como parte da tradicional Jornada de Lutas da Juventude, série de manifestações realizada todos os anos nos meses de março e abril. A Jornada lembra a data de morte de Edson Luis, secundarista assassinado por militares no dia 28 de março de 1968, e a de nascimento do ex-presidente da UNE, Honestino Guimarães (28/3/1949), sequestrado e morto pela ditadura militar.


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Os estudantes se reúnem em Brasíia para uma grande manifestação contra a redução da maioridade panalOs estudantes se reúnem em Brasíia para uma grande manifestação contra a redução da maioridade panal
Os estudantes tomarão as ruas da capital federal em defesa da democracia, por mais investimentos em educação e contra a redução da maioridade penal. A concentração aconteceu em frente à Biblioteca Nacional e a juventude seguiu em passeata até o Congresso Nacional.

“Nós estamos num período em que o Congresso Nacional está com uma postura de querer retroceder direitos, como a redução da maioridade penal e liberalização da terceirização. Vamos fazer essa passeata para mostrar aos parlamentares que os estudantes tem lado, que é o lado do trabalhador e da juventude”, afirma a presidenta da Ubes, Bárbara Melo.

Uma comissão formada pelas entidades estudantis deverá realizar uma audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. O novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, também deverá receber os estudantes, que apresentarão ao governo Dilma a sua pauta de reivindicações.

“Queremos que a agenda da juventude seja a prioridade. Queremos que a Câmara avance na reforma política democrática, com o fim do financiamento empresarial de campanha, invista em escolas e em cultura para a juventude. Queremos que os deputados cumpram o Estatuto da Criança e do Adolescente e não votem a redução da maioridade penal. Enquanto a Câmara quiser retroceder, nós iremos resistir”, completa a presidenta da Ubes.

As entidades estudantis divulgaram manifesto em que apresentam argumentos contrários à proposta da redução da maioridade, além pedir uma reforma política com o fim do financiamento empresarial de campanhas. Os estudantes querem também um plano de assistência estudantil para o ensino técnico e a reformulação do ensino médio no Brasil.

Leia o documento na íntegra:

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) convocam todas e todos para se mobilizarem contra a recente onda conservadora que quer prejudicar o país e a juventude. Não bastassem os ataques à nossa democracia, ideias golpistas começam a ressuscitar a terrível ditadura militar e propostas absurdas como reduzir a maioridade penal. Eles querem encarcerar os adolescentes pobres – quase sempre negros – nos terríveis presídios brasileiros, com o falso argumento de combater a violência.

As entidades estudantis sabem que, na verdade, quem combate a violência é o investimento na escola pública, na estrutura da educação, na valorização dos professores e dos projetos educacionais. Quem combate a violência é a democratização da cultura, do esporte, dos espaços livres e produtivos da juventude. Quem combate a violência é a maior participação do jovem na sociedade, nos movimentos da sua comunidade, na política, nos coletivos, no empreendedorismo. Quem combate a violência não são as cadeias, são as escolas.

Porém, não queremos a mesma escola que está aí, desde a época da ditadura militar, com currículos atrasados, desinteressantes e uma dinâmica distante da realidade dos jovens. A Ubes quer a Reformulação do Ensino Médio para criar uma nova escola democrática, com grande participação dos estudantes em todos os processos, com mais acesso à tecnologia e às novas linguagens, mais proximidade com a cultura, com o esporte e outras práticas coletivas. É necessário criar um ensino médio sem preconceitos nem intolerâncias, uma escola permanentemente contra o machismo, o racismo e a homofobia.

Precisamos também valorizar o Ensino Técnico para garantir uma formação melhor aos milhões de alunos desse setor e impedir que eles abandonem os estudos. Queremos um Plano Nacional de Assistência Estudantil para o Ensino Técnico, com a criação de bolsas, restaurantes estudantis, auxílio moradia e creches para as mães estudantes. Além disso, queremos o Passe Livre nos transportes para os alunos do ensino técnico, para combater a evasão escolar e a regulamentação da meia-entrada de todos os estudantes do país em eventos culturais e esportivos.

Nós queremos mais escolas. Alguns deputados e senadores, infelizmente, querem mais cadeias. Esse é o retrato de um Congresso Nacional conservador, que não está se importando com o futuro da juventude. Por esse e outros motivos, a Ubes defende uma verdadeira Reforma Política para mudar as bases do sistema eleitoral brasileiro, permitindo somente a eleição daqueles que são realmente comprometidos com o povo e com a justiça social. Para isso, queremos o fim do financiamento de empresas a campanhas políticas, combatendo a corrupção e a troca de interesses entre empresários políticos. A reforma que a Ubes quer também envolve maior participação das mulheres, dos negros, dos jovens e de outros grupos excluídos da política.

Nossos sonhos são muitos e nosso caminho é longo, mas temos a energia e alegria de quem confia no Brasil. Somos milhões em todas as salas de aula, laboratórios, nos cursos preparatórios de norte a sul do país. Somos a juventude que defende a democracia, que não aceita retrocessos, não aceita golpe, que luta em defesa da democracia e enxerga sempre à frente, porque não desistirá das suas maiores ideias.
 
Fonte: UNE

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