Livro que conta história dos soldados da borracha tem autor acreano

Uma história que merecia ser contada!!

Livro deve ser lançado em fevereiro deste ano, segundo historiador. ‘Soldados da Borracha – Os Heróis Esquecidos’ tem 250 páginas.

 27.01.2016 9:33 Por Vanísia Nery
Livro conta a história dos soldados da borracha e também ilustra momentos da época  (Foto: Arquivo/SEMTA)
Livro conta a história dos soldados da borracha e também ilustra momentos da época (Foto: Arquivo/SEMTA)
‘Relatar o drama silencioso vivido por milhares de homens e mulheres, que foram enviados do Nordeste do país para a Amazônia como parte do esforço de guerra conhecido como a “Batalha da Borracha”‘. A descrição é do livro “Soldados da Borracha – Os Heróis Esquecidos”, que tem como um dos autores o historiador acreano Marcus Vinicius Neves.
De acordo com o historiador, o livro faz parte de um projeto que surgiu a partir de um documentário feito por um cearense que ouviu muitas histórias sobre os soldados da borracha.
“O primeiro documentário foi feito há uns seis anos, chamado ‘Borracha para vitória”, e o resultado foi tão bom que ele decidiu fazer um segundo de longa metragem. E aproveitando a produção desse documentário, o cearense aprovou um projeto para publicar também um livro e me chamou para ajudar junto com uma jornalista cearense”, conta Neves.
De acordo com ele, o livro conta toda a história não só de como surgiram os soldados da borracha, mas também os dramas que eles passaram ao vir para a Amazônia sem conhecer.
“Mostramos os sofrimentos e os resultados disso na vida desse povo que veio trabalhar com a borracha. Foi sobre isso que nós escrevemos. O livro está lindo, com muitas fotos”, diz.
O historiador conta que a relação com o tema teve início há três anos, quando começou a pegar os depoimentos dos personagens junto com a produção do documentário para escrever o livro, que deve ser lançado em fevereiro deste ano.
O livro tem 250 páginas e foi dividido em 11 capítulos com um formato de álbum incluindo depoimentos, fotos tanto de época como as que fizeram durante a pesquisa. Neves afirma que a história da ‘batalha da borracha’ diz respeito a uma boa parte da história de vida das famílias acreanas mais tradicionais.
“Eram trabalhadores que vieram para o Acre e aqui construíram suas famílias, ajudando a construir esse estado. É um trecho muito importante da história que foi ignorado por um tempo. Foi a oportunidade de incluir nessa história, novas informações e ter outra visão sobre isso”, diz o historiador.
Homens era recrutados para trabalharem na extração de látex na região Norte  (Foto: Arquivo/SEMTA)
Homens eram recrutados para trabalharem na extração de látex na região Norte (Foto: Arquivo/SEMTA)
Ciclo da Borracha
O Ciclo da Borracha foi o apogeu da exportação de látex na Amazônia. Dividido em duas fases, o primeiro momento vai de 1870 a 1912. O historiador Marcos Vinícus das Neves destaca que o início dessa exploração no Acre ocorreu, especificamente, a partir de 1880. “Após a decadência da economia da borracha, essa exploração continuou ainda até os anos 70 do século 20, mesmo com o seu fim em 1912”.
A segunda fase é motivada pela Segunda Guerra Mundial, quando o Japão atacou os Estados Unidos, que perderam o acesso ao cultivo de borracha no Sudoeste asiático bloqueado. “Foi quando os EUA fazem os acordos de Washington, e inicia o que a gente chama de Batalha da Borracha, que vai de 1942 a 1945, justamente o ciclo que durou três anos”, explica.
Indenização
O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), promulgouno dia 14 de maio de 2015 a proposta de emenda à Constituição (PEC) que indeniza em R$ 25 mil os chamados soldados da borracha. Portanto, seringueiros e descendentes daqueles que morreram receberam a parcela única de R$ 25 mil em 2015.
Livro relata sofrimento e as consequências geradas ao soldados da borracha, conta historiador  (Foto: Arquivo/SEMTA)
Livro relata sofrimento e as consequências geradas ao soldados da borracha, conta historiador (Foto: Arquivo/SEMTA)
Fonte: G1

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