6 de janeiro de 2016

"O que vier a acontecer no Brasil terá consequências sobre toda a América Latina", diz Mujica


O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta quarta-feira (16) que as consequências de um eventual impeachment da presidenta Dilma Rousseff não afetarão apenas o Brasil, mas toda a América Latina, porque o País é determinante na região. A declaração foi feita pouco antes da abertura da 3ª Conferência Nacional de Juventude, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. O evento prossegue até 19 de dezembro, com o tema “As Várias Formas de Mudar o Brasil”.

O ex-presidente também se disse surpreso de que os brasileiros não se dêm conta da gravidade dessa situação.

“Todos os dias há péssimas noticias. E como patriotas, como brasileiros, a grande luta seria tirar o Brasil do pântano. Que se faça a justiça, a justiça que se tenha que fazer. Mas acima da Justiça, acima dos que têm que ir presos, está o Brasil. Está o povo brasileiro, que trabalha, a estabilidade social, que vale mais que todo o resto”, advertiu. “É difícil que o sistema político, judicial, os grandes meios de comunicação, estejam conscientes do mal em que o Brasil está metido, e as consequências que têm, não só para o Brasil, mas para todos os latino-americanos”.

O ex-presidente uruguaio, hoje senador, enfatizou que há hoje no País “uma crise de confiança, que está virando uma crise econômica”.“E a crise econômica aumenta a crise de confiança”, acrescentou.
Para Mujica, isso é uma espécie de jogo irresponsável, que paralisa o Brasil e influi em todos os vizinhos.

“Estão jogando o jogo do bom e do mal. E, na realidade, não há mal nem bom. Estão afundando o País. Humildemente faço um chamamento de atenção para as pessoas mais responsáveis. Não há ganhadores, são todos perdedores. Essa é minha humilde opinião”, concluiu.

Uruguai
Mujica lembrou que o Uruguai atravessou uma grande crise econômica em 2002. E afirmou que nem ele e nem as pessoas de seu campo político, que eram oposição à época, pensaram em tentar tirar o governo.

“Tratamos de esperar a eleição. E que o povo decidisse. Mas nem nos ocorreu que o governo tinha que cair, porque isso era pior. Tínhamos que financiar a crise. E era importante a imagem que passávamos para fora do país, porque havia uma necessidade de crédito. E se semeássemos uma imagem desastrosa para aquele que poderia colocar 1 peso, aquele que pudesse emprestar, se retrairiam. E perderíamos duas vezes”, declarou.

Blog do Planalto

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