5 de maio de 2016

De sequestro a trabalho escravo, linha sucessória de Cunha na Câmara tem histórico de acusações


Sequência de parlamentares prontos para ocupar a cadeira de Cunha tem acúmulo de acusações e inquéritos.
Sequência de parlamentares prontos para ocupar a cadeira de Cunha tem acúmulo de acusações e inquéritos. Foto: Reprodução

Pedro Willmersdorf

O afastamento de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) de seu mandato de deputado federal, pedido na manhã desta quinta-feira pelo ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), jogou os holofotes automaticamente sobre Waldir Maranhão (PP/MA), vice-presidente da Câmara e primeiro na linha sucessória da Casa. O parlamentar maranhense é um dos 32 integrantes do PP investigados pela Operação Lava Jato, além de também ser alvo de dois inquéritos no STF em que é acusado de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos ou valores.

Waldir Maranhão é um dos 32 integrantes do PP investigados na Lava Jato.
Waldir Maranhão é um dos 32 integrantes do PP investigados na Lava Jato. Foto: Reprodução

No entanto, não é somente Maranhão que carrega sobre os ombros um histórico de acusações, inquéritos e investigações. Outros parlamentares da linha sucessória de Cunha também possuem um currículo vasto de parágrafos nesta seara. Fernando Giacobo (PR/PR) é o 2º vice-presidente da Câmara. Em 2008, foi protocolado no STF um inquérito que teve como relator o ministro Celso de Mello e que investigava suposto crime contra a ordem tributária. Em novembro do ano passado houve seu arquivamento pelo tribunal.

Giacobo enfrentou também uma ação penal envolvendo crime de sequestro e cárcere privado cuja denúncia teria sido retirada pelo próprio autor, em 2009, segundo a assessoria do deputado. Já em 2011, Giacobo foi inocentado de acusações de falsidade ideológica e formação de quadrilha em outra ação.

Giacobo (PR/PR) já escapou de acusações de sequestro e cárcere privado.
Giacobo (PR/PR) já escapou de acusações de sequestro e cárcere privado. Foto: Reprodução

Em seguida, surge a figura de Beto Mansur (PRB/SP), colecionador de acusações em tramitação no STF. Em 2012, fiscais do Ministério do Trabalho encontraram 22 pessoas em condições análogas à escravidão trabalhando em uma propriedade do parlamentar, no interior de Goiás. Em 2014, Beto foi condenado pelo Tribunal Superior do Trabalho a pagar indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos. A esta altura, o deputado é alvo de três processos no Supremo pelos crimes de: crime contra a administração pública e crimes de responsabilidade fiscal.

Beto Mansur (PRB/SP): indenização por danos morais sob acusação de empregar pessoas em condições de trabalho escravo.
Beto Mansur (PRB/SP): indenização por danos morais sob acusação de empregar pessoas em condições de trabalho escravo. Foto: Reprodução

O 2º secretário da Câmara é Felipe Bornier (PROS/RJ), que não tem contra si qualquer inquérito ou processo tramitando no STF. No entanto, ele foi multado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro sob a acusação de uso indevido de meios de comunicação nas eleições de 2014. De acordo com a assessoria do parlamentar, ele já teria quitado a multa no valor de R$ 6.450,00.
Em tempo: Bornier, em março, entrou com um mandado de segurança no STF, relatando que havia recebido um ofício de Eduardo Cunha em que este informava que Bornier perderia seu cargo de 2º secretário, por conta de sua saída do PSD para o PROS. Alegando que teria apenas mudado de legenda, sem deixar o bloco parlamentar que abarca os dois partidos, o secretário conseguiu manter seu cargo na mesa por decisão do ministro Luiz Fux.

Felipe Bornier (PROS/RJ) foi ameaçado por Cunha ao se desfiliar do PSD.
Felipe Bornier (PROS/RJ) foi ameaçado por Cunha ao se desfiliar do PSD. Foto: Reprodução

Exercendo seu segundo mandato na Câmara, a deputada Mara Gabrilli (PSDB/SP) também surge como uma figura da linha sucessória sem algum tipo de inquérito ou processo tramitando em tribunais instâncias superiores.

Mara Gabrilli (PSDB/SP) surge como a primeira figura da linha sucessória sem ter o nome em processos no STF.
Mara Gabrilli (PSDB/SP) surge como a primeira figura da linha sucessória sem ter o nome em processos no STF. Foto: Reprodução



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