O STF deveria se apressar para julgar todos os políticos corruptos


Por: Chico Vigilante - Deputado Distrital
Um dos poucos deputados que foi à casa da Presidência da Câmara dos Deputados, na Península dos Ministros, em Brasília, na manhã de quinta-feira, prestar solidariedade a Eduardo Cunha pela sua cassação pelo STF, disse à imprensa ao sair que a decisão do ministro Teori Zavascki de conceder uma liminar cassando o mandato de deputado de Eduardo Cunha "é uma intervenção na Câmara dos Deputados" e que "com essa base, ele pode cassar mais 200 parlamentares com processo no STF."
Concordo plenamente com a segunda parte da afirmação e conclamo a sociedade brasileira a se manifestar diante do STF para que todos os processos de políticos da oposição empilhados nas mesas do Supremo passem a ser examinados por mutirões de trabalho que os façam caminhar celeremente.
Se isso levar à cassação de 200 ou 300 parlamentares, seja lá de que partido for, melhor para o Brasil e para os brasileiros. Com a casa limpa abriremos caminho para novas eleições.
Não podemos permitir que o mundo inteiro diga que os brasileiros assistiram inertes ao processo de impeachment de uma presidenta eleita democraticamente pelo voto de 54 milhões de brasileiros, coordenado por uma quadrilha de corruptos.
A mais urgente das medidas da Suprema Corte deste país deveria ser seguir o exemplo do ministro Teori Zavascki e julgar os processos existentes contra Michel Temer.
Isso livraria o Brasil da vergonha de ter um vice-presidente e um eventual presidente da República, cassado na função, por envolvimento em crimes de corrupção.
Isso também livraria o Brasil de ter ministros corruptos.
Como se fosse pouco chefiar a farsa de um impeachment sem crime de responsabilidade comprovado, Temer - que convenceu ministros de seu próprio partido a sair do governo para garantir votos a favor do impeachment de Dilma na Câmara - admite nomear ministros peemedebistas investigados pela Operação Lava Jato.
Dentre os cotados estão Romero Jucá e Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, investigados pelo Supremo, e Geddel Vieira Lima, também do PMDB, já citado nas delações.
Sobre a questão Temer declarou cinicamente que "num plano mais geral, o que eu posso dizer é que a investigação ainda é o que é, uma investigação. Então, não sei se isto é um fator impeditivo de uma eventual nomeação".
Ironicamente a saída de Cunha se dá exatamente cinco anos após sancionada pelo presidente Lula, a Lei Complementar 135, de iniciativa popular, também conhecida como Lei da Ficha Limpa, em 4 de maio de 2010.
Se a sociedade brasileira já se manifestava há cinco anos contra parlamentares corruptos porque aceitaria hoje ministros envolvidos em denúncias de corrupção?
Todos se lembram das grandes manifestações populares que permearam esta iniciativa da sociedade, uma belíssima demonstração no âmbito político, jurídico e social do controle do Estado pelo povo, contra a corrupção, principalmente no Legislativo.
Nenhum dos agentes do golpe em curso passaria pela lei da Ficha Limpa e poderia se candidatar se a sociedade brasileira decidisse por plebiscito a realização de eleições gerais para o mês de outubro deste ano, quando os executivos e legislativos municipais serão renovados.
Que tipo de brasileiros são aqueles que defendem o impeachment de Dilma mesmo sabendo que se ela sair Temer ocupará o seu lugar e junto com ele tomarão conta do país homens mais de uma vez citados em denúncias de corrupção?
O que levará, então, os demais brasileiros - aqueles que percebem a injustiça e a farsa deste processo contra Dilma - a manter Temer e sua turma no poder, caso venha a se concretizar o impeachment da presidenta Dilma? Nada.
Quando o morro descer para o asfalto em protesto; o campo erguer suas foice; as universidades e seu conhecimento se sublevarem em sua juventude contra a tomada do país pelos ladrões; e os movimentos sociais organizados decretarem tolerância zero contra a farsa; o país vai tremer e será tarde demais para mudar de lado.

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