Em Delação, Léo Pinheiro detalha como pagou Propina para o PMDB

Léo Pinheiro confirma que OAS pagou propina para frear CPMI da Petrobras

Postado por: Narley Resende


leo pinheiro Cropped

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro confirmou ao juiz Sérgio Moro que pagou R$ 1,5 milhão em forma de caixa dois ao PMDB Nacional. O valor, segundo o executivo, foi repassado a pedido dos ex-senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rego (PMDB-PB) para frear a Comissão Parlamentar Mista que Inquérito (CPMI) da Petrobras, em 2014.
Léo Pinheiro ainda acrescentou que houve repasse de R$ 350 mil à Paróquia São Pedro, em Taguatinga (DF) frequentada por Argello. O dinheiro, segundo o ex-presidente da OAS, foi depositado em uma conta corrente da igreja.
“A OAS pagou 350 mil reais a paróquia lá de Brasília e pagou R$ 2,5 milhão, sendo um milhão em doação ao PMDB Nacional, e R$ 1,5 milhão através de caixa dois”, confirmou o empreiteiro.
A audiência, que começou às 13h30 e terminou por volta das 15h30, faz parte da ação-penal que investiga pagamento de propina ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF) para impedir a convocação de executivos na CPMI. O depoimento é relacionado à Operação Vitória de Pirro, 28ª fase da Lava Jato.
Reuniões
O ex-presidente da OAS ainda afirmou que o ex-ministro de Relações Institucionais do governo Dilma Rousseff, Ricardo Berzoini, participou de uma reunião com o ex-senador Gim Argello. No encontro, Pinheiro esclareceu que o assunto tratado foi preocupação em relação a possibilidade de empreiteiros precisarem depor na CPMI da Petrobras.
Essa reunião seria apenas para definir questões relacionadas ao calendário da CPMI da Petrobras, na casa de Gim Argello, uma delas com a presença do então ministro. Argello teria, então, convocado representantes das empreiteiras investigadas para conversar individualmente, em outras reuniões.
“Fui convocado para um jantar na residência do senador Gim Argello, e lá chegando estava o senador Vital do Rego. Para a minha surpresa estava presente o ministro das Relações Institucionais do governo da presidente Dilma, Ricardo Berzoini”, disse.
Pinheiro afirma que estranhou a reunião com a presença do ministro. “Eu cheguei, eles já estavam em reunião. Ele (Berzoini) ficou 40 minutos, 45 minutos. Ele falou para mim e para os dois senadores que estava ali em nome do governo da presidente Dilma, preocupado com o desenrolar da CPI. E que a presença dele ali significava isso: preocupação do governo e pedir um apoio das empresas, no caso a minha que era a única que estava lá, para que colaborasse no que fosse possível para o bom andamento da CPI. O ministro, após essa conversa, se retirou. Eu posso fazer suposições, mas não me foi dito claro. O presidente de uma CPI, o vice-presidente de uma CPI, um ministro de Estado, e um empresário sendo investigado, não é uma reunião adequada”, questiona.
Pressão
Na segunda reunião, com a presença dos senadores Gim Argello e e Vital do Rego, Pinheiro afirma que houve a cobrança de “ajuda” para que eles pudessem “ajudar” na CPI.
“Eles me colocaram: uma semana vamos fazer reuniões para aprovar a pauta. Na semana seguinte para aprovar requirimentos. Então os requerimentos só serão aprovados a cada 15 dias. A CPI vai ser dividida em quatro eixos – um eixo que vai investigar a refinaria de Pasadena, outro eixo para investigar a refinaria RNest (Abreu e Lima), outro eixo que vai investigar a qualidade das plataformas, outro que vai fiscalizar outro tema, acho que plataforma também. Me disseram o seguinte: nós podemos ajudar, e ajudar muito. ‘Agora, o senhor vai ter que ajudar financeiramente. O senhor vai ter que dar uma contribuição ao senador Vital do Rego que será candidato à senador da Paraíba'”, relata.
Ao negar, Léo Pinheiro afirma que foi pressionado a fazer doações por meios que não ligassem a empreiteira à campanha eleitoral de Vital do Rego. “A Paraíba não é um estado onde a OAS está atuando. Ele me disse: não, você não está entendendo. Você vai ter que ajudar”, disse.
Silêncio
Na primeira audiência com o juiz Sérgio Moro, no dia 24 de agosto, o empreiteiro permaneceu calado. Dois dias antes do depoimento, a Procuradoria Geral da República (PGR) havia suspendido a negociação do acordo de delação premiada de Léo Pinheiro, depois que a imprensa divulgou o vazamento do acordo. 
Sem títuloEm documento protocolado nessa segunda-feira (12) no sistema eletrônico da Justiça Federal, os procuradores do Ministério Público Federal desqualificaram o depoimento de Léo Pinheiro. O documento diz que o MPF considera o depoimento desnecessário.
“(O MPF) considera desnecessário o interrogatório do acusado para fins de colaboração com os fatos do presente processo, mormente porque ao juízo da acusação os fatos denunciados estão robustamente corroborados pelas provas coligidas até o momento. De toda forma, considerando que o interrogatório é um meio de defesa do acusado, o Ministério Público Federal não vê óbice na sua realização”, diz a peça.
Volta à prisão
Em agosto do ano passado, o empresário foi condenado em um processo da Operação Lava Jato, a 16 anos e 4 meses de cadeia. Com uma delação cancelada, Pinheiro ainda é réu em outras duas ações na Lava Jato e respondia aos processos em liberdade provisória.
Ele voltou para a cadeia na segunda-feira da semana passada. O pedido de prisão preventiva foi apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) e afirma que o executivo é um criminoso habitual.
O MPF lembra que Léo Pinheiro está envolvido vários tipos de crimes em contratos da Petrobras, do Metrô de São Paulo e da Arena Fonte Nova – estádio da Copa do Mundo de 2014.
O MPF também relata que, mesmo com a Operação Lava Jato em andamento, o empresário corrompeu o ex-senador Gim Argello (ex-PTB/DF) e teria oferecido propina para atrapalhar as investigações. A primeira prisão de Léo Pinheiro ocorreu durante a 7ª fase da Lava Jato, em novembro de 2014.
Delação
O acordo de colaboração com investigados ligados à empreiteira provocou um embate entre o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República. O motivo é o vazamento da informação de que Léo Pinheiro teria ajudado o ministro Dias Toffoli, do STF, em uma reforma.
O ministro do STF Gilmar Mendes reagiu, dizendo que “é preciso colocar freios” na atuação dos procuradores da República. Ele acusa os procuradores de vazarem as informações em represália a decisões de Toffoli que teriam contrariado a Força Tarefa Lava Jato.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nega que o vazamento tenha partido de procuradores do Ministério Público Federal.

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