23 de setembro de 2016

Núcleo afro do PMDB protesta contra Michel Temer: Governo de Retrocessos

Núcleo afro do PMDB protesta contra Michel Temer


Dirigentes do núcleo afro da legenda fazem duras críticas ao que consideram uma falta de atenção do presidente ao setor e apontam retrocesso na entrega da Secretaria de Igualdade Racial ao PSDB. Em junho, Temer nomeou a tucana Luislinda Valois, primeira mulher negra a se tornar juíza no país, para o cargo.
Alvo de ataques da oposição e de fogo amigo de partidos de sua base, o presidente Michel Temer sofre com uma rebelião de parte de seu próprio partido, o PMDB.

Folha ouviu integrantes do grupo nos últimos dias, alguns sob anonimato. A queixa generalizada é que o governo ignorou o partido na discussão das políticas de igualdade racial, tema que pouco interessaria ao Planalto.

"Se ele [Temer] não olha nem para os negros do partido, que dirá para os demais. Tivemos mais espaço no governo Lula e Dilma", diz Eudes Carvalho, presidente do PMDB Afro de Sergipe. "Esse governo Temer é do preconceito, do racismo e da discriminação. Quer colocar a gente na senzala de novo."

O presidente do núcleo do Paraná, Saul Dorval da Silva, diz que "nem o governo nem a cúpula que o cerca" os ouvem. "Isso nos revolta, todas as ações afirmativas não estão sendo tocadas. Queremos a demissão imediata da secretária. Essa atual gestão, além de paralisada, não sabe o que está fazendo, é um retrocesso."

A presidente do PMDB Afro paulista, Tatiane Cardoso, também fez críticas em redes sociais. À Folha, porém, disse apoiar Temer e "todas as pessoas que ele escolheu".

Presidente nacional do núcleo, Vanderlei Lourenço contemporiza: "A escolha da direção da condução das políticas para os negros foi do governo e, naturalmente, gerou certo descontentamento em alguns companheiros. Mas a gente busca o diálogo institucional com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil)".

Valois diz se surpreender com as críticas. "Estou sabendo agora dessa insatisfação. A porta do meu gabinete está sempre aberta, não levo em conta partido A, B ou C."

A secretária afirma que está encaminhando todas as demandas ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a quem a pasta está agora subordinada e que as questões têm sido bem recebidas.

Em nota, o Planalto afirmou que "o PMDB tem o maior apreço pelas políticas de igualdade racial e o governo já recebeu esse grupo várias vezes. A prova disso foi a escolha para o cargo uma pessoa do gabarito da secretária".