24 de setembro de 2016

Xenofobia e Preconceito, na Pauta Central da Disputa em Cruzeiro do Sul


O processo de disputa eleitoral, deve ser o espaço para debater os rumos para desenvolvimento de uma cidade, estado e País. Na disputa pela prefeitura de Cruzeiro do Sul, um aspecto tem chamado atenção e me causou vergonha e acima de tudo indignação, o Preconceito e a Xenofobia estão no centro do debate, tudo isso motivado por ter uma Nordestina na disputa do cargo de prefeita.

No momento em que o mundo discute a imigração e busca uma saída para as nações acolherem refugiados de países em situações catastróficas, alguns retardados de Cruzeiro do Sul nivelam o debate no ponto de vista de quem enterrou o umbigo mais fundo na cidade.

Quem leu um pouco da história de Cruzeiro do Sul, consegue no mínimo ficar constrangido, com tal postura, de alienados políticos, que sequer buscam formação cultural e social, para fazer parte de um processo eleitoral, onde o que está em jogo é o destino de uma cidade.

O Piauiense Marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo, quando saiu lá de Barras no Piauí e descobriu essa cidade, tenho certeza que era um prenúncio de que se abriria para o mundo.

Logo em seguida os Sírios Libaneses, Turcos e Nordestinos Foram chegando, começando a aquecer a economia da região, foram muito bem recebidos e adaptados por aqui, a prova são as mais diversas famílias descendentes; até hoje presente na cidade.

Vamos falar dos Soldados da Borracha? Pois é, esses combatentes nordestinos sacudiram os seringais, chegaram e povoaram as florestas, dando até então a maior fonte de renda da região norte e do País no período. Dificilmente temos uma família cruzeirense que não tem como patriarca um nordestino.

Não podemos esquecer dos Religiosos  Alemães e Italianos, esses transformaram a educação de nossa cidade em algo espetacular. Alguém pesquise sobre Dom José Hasher, o Bispo que construiu nossa Catedral de Nossa Senhora da Glória, maior cartão postal da cidade. Não podemos esquecer que, foram esses estrangeiros que fizeram de Cruzeiro do Sul, a Princesinha do Acre, cidade com uma arquitetura sem igual na região.

Fiz essas referências aos heróis do passado e que trouxeram o crescimento dessa cidade e nos ajudaram na história até os dias atuais.

Mas quero pedir perdão ou melhor desculpas de minha parte; aos Professores, Médicos, Enfermeiros, engenheiros, Soldados da Borracha, Militares, comerciantes e estudantes. Vocês que escolheram nossa Cruzeiro do Sul para construir suas vidas e com isso, contribuir diretamente com nosso desenvolvimento e estão sendo vistos por outro olhar, olhar este raso e de senso comum, preconceituoso, xenofóbico e nojento.

Vai aqui uma pergunta aos desculturados covardes das redes sociais; o que seria desta linda e grande cidade, se não fosse todo o envolvimento dessa gente?

Talvez um Seringal, onde todo mundo vivia trabalhando muito, sem direito de crescer, de reclamar e de ter saldo, apenas vivia para satisfazer os desejos e anseios do Coronel e sua família. Quero dizer que a história de emancipação de nosso povo foi linda, mas foi o começo e não precisamos voltar para ao passado, a sociedade evolui, o ovo formou consciência e queremos viver em uma cidade que abrace todos e todas que aqui chegarem, decididos a contribuir com seu desenvolvimento.

Em nome da Delegada e Nordestina de Pernambuco: Carla Britto, peço desculpas aos que são de outras regiões  pela vergonha  e constrangimento que esses tais Cruzeirenses  causaram. Saibam que nossa gente é bela, acolhedora  e solidária. Vocês se enquadram no perfil daqueles que aqui chegam para somar,  por isso desejamos que fiquem a vida inteira por aqui afinal; mais vale um migrante do nordeste, Sul, Centro- Oeste etc.. trabalhador, que 100 Cruzeirenses preguiçosos.

Por: Francisco Panthio