A Frente Popular do Acre precisa Entender o Recado das Urnas


Como era de se esperar, o processo de impeachment e o bombardeio de denúncias de corrupção relacionadas à operação Lava Jato fizeram com que o Partido dos Trabalhadores e as demais forças de esquerda, fossem os maiores derrotados desta eleição. Apesar de vitórias pontuais e da presença em algumas disputas de segundo turno, o PT será apenas uma sombra do que já foi considerando as administrações municipais. A menos que um fato novo ocorra, essa condição provavelmente se repetirá nas eleições de 2018, fazendo com que o partido perca a hegemonia na esquerda.

O PT – Partido dos Trabalhadores, como força majoritária desta aliança, precisa ter a humildade e firmeza de pontuar os equívocos e superar o desgaste com serenidade. Seus dirigentes não podem menosprezar o resultado das urnas. Fazer essa autocrítica e indispensável, caso queira apontar novas perspectivas de futuro, ao contrário; podemos enxergar friamente o início de um fim de ciclo da historia política local.

Aqui no Acre precisamos fazer uma avaliação com maior intensidade, afinal a vitória do prefeito Marcus Alexandre; criou uma falsa ilusão de que continuamos hegemônicos. Marcus Alexandre ganhou em um contexto nunca visto, onde usamos mais a figura individual em alta popular do mesmo, do que a força coletiva da aliança.

A FPA é aliança mais vitoriosa da história da política brasileira, mas que vive um momento de reafirmação ideológica, que somente se reformulando, conseguirá unidade de sua força e a renovação da confiança popular.

Na situação adversa, não tem espaço para embates dentro da própria esquerda. Precisamos renovar os atores gerenciais, não pela idade e sim pela compreensão, pois é notório que é possível sim. Por que não discutir alternativas de protagonismo da esquerda, que não seja captaneado pelo PT e sim por outro aliado?

Esse desgaste também, pode ser fruto de algumas alianças se constituídas não pelo conteúdo e projeto de construção, mas sim pela possível vitória eleitoral. Fatos como estes foram trazendo os aproveitadores e profissionais da política, que aos poucos desconfiguraram a imagem do compromisso social e dos interesses coletivos.

Olhando o mapa geral do resultado eleitoral no estado, a gente consegue ter um quadro real, de que a FPA saiu perdendo para as forças desorganizadas da direita acreana. Para ter certeza disso, só precisamos fazer um comparativo; entre as eleições de 2012 e deste ano. Com raras excreções de renovação, a FPA apresentou muita coisa velha, ultrapassada para o que a sociedade quer ver de novo na política.

Vale fazer registro de uma boa novidade chamada Carla Britto, que disputou bem a batalha contra os Sales e Camelis no Juruá, Fernanda Assem Vencendo em Brasiléia e a retomada da gestão em Xapuri, somando se a reafirmação de Marcus Alexandre, que se consolidou como a maior liderança da FPA na atualidade.

Calçar as sandálias da humildade e reconhecer que é preciso se repactuar, será a primeira medida da FPA, se quiser sonhar em ser vitoriosa em 2018.


Francisco Panthio
Militante da FPA

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