19 de outubro de 2016

Os Bezerros de Ouro do Ministro dos Esportes Leonardo Picciane (PMDB)

Executiva diz ter comprado gado superfaturado de empresa de ministro

Pedro Ladeira -17.mai.2016/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 17-05-2016, 15h00: O novo ministro dos esportes Leonardo Picciani durante entrevista exclusiva em seu gabinete. Atrás de sua mesa de trabalho, segue na parede o retrato da preseidente afastada Dilma Rousseff, seguindo a orientação do presidente interino Michel Temer de não retirar a foto dos gabinetes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) ***EXCLUSIVA***
O ministro do Esporte de Michel Temer, Leonardo Picciani

O objetivo seria gerar dinheiro em espécie que abasteceria o caixa dois da empreiteira. A informação foi revelada pelo jornal "Estado de S.Paulo".

Em acordo de leniência com a Operação Lava Jato, a matemática e ex-executiva da Carioca Engenharia Tania Fontenelle afirmou que a empresa adquiriu cabeças de gado superfaturadas da empresa Agrobilara Comércio e Participações Ltda., do ministro do Esporte Leonardo Picciani.

Fontenelle, que afirma ter trabalhado para a Carioca de 2007 até 2015, afirmou no depoimento que "recebia solicitações de acionistas e diretores da Carioca Engenharia para providenciar dinheiro em espécie e assim procedia". Segundo ela, para conseguir as quantias, eram "de outras empresas prestadoras de serviços, celebrando contratos simulados", que envolveriam superfaturamento de serviços prestados.

Entre eles estaria a compra de cabeças de gado da empresa Agrobilara, pertencente à família Picciani. Além do ministro, são controladores da companhia também Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e Rafael Picciani, deputado estadual.

Segundo a matemática, as empresas ficariam com o preço referente ao serviço de fato prestado e com uma "comissão" de 25% a 30% do valor do contrato. O restante seria devolvido em espécie para a executiva, que então repassaria a quantia para os diretores e acionistas. As declarações foram dadas em 19 de abril deste ano.

Apontada como uma das empreiteiras que pagou propina no exterior para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Carioca Engenharia fechou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal e pagará R$ 100 milhões de reparação pelos atos de corrupção.


Folha não conseguiu localizar o ministro Leonardo Picciani até a publicação desta reportagem.