18 de novembro de 2016

Em pleno inverno, ministro de Temer assina ordem de recuperação da BR


Isso está estranho!


O recurso agora novamente assegurado pelo sr. Fora Temer, já havia sido liberado anteriormente por Dilma.
Dito isso, é preciso que se diga também que, contrariando a expectativa de setores mais raivosos da oposição, não se ouviram críticas diretas ao governo do estado sobre a BR.
Mitologia Cameli
gladsonGladson adotou um tom conciliador, evitando dirigir críticas ou acusações ao governo. Contudo, continua alimentando a mitologia Cameli, de que os trechos realizados pela construtora do ‘tio Orleir’ sejam de qualidade superior aos demais. Para produzir tal efeito, Gladson omite e adultera a história recente da epopeia BR, da qual Orleir foi, indiscutivelmente um importante protagonista. Mas não o único.
No evento, Gladson afirmou que os únicos dois trechos que foram aceitos pelo DNIT foram aqueles construídos por Orleir Cameli. A saber; os trechos entre o Juruá e o Liberdade e entre Sena Madureira e Rio Branco. Os dois trechos apresentam atualmente as melhores condições de tráfego na BR 364. Contudo, Gladson omite que mesmo estes trechos tiveram de ser recuperados e refeitos mais de uma vez. O trecho entre Juruá e Liberdade, por exemplo, foi feito inicialmente por Orleir, quando governador (mais propriamente entre Juruá e Santa Luzia) e teve de ser refeito três vezes, uma delas pelo mesmo Orleir, mas já na condição de empresário, durante o governo Binho Marques. O mesmo pode ser dito do trecho Sena-Rio Branco, que também teve de ser reconstruído, CINCO vezes, além de passar por recuperações emergenciais. A última reconstrução, a que se deve a boa trafegabilidade deste trecho, foi realizado pela empresa Castilho, durante o governo Tião Viana.
Outra omissão de Gladson é de que a ETAM, empresa de seu pai Eládio Cameli, juntamente com a Colorado de Orleir, foram responsáveis por realizar alguns dos trechos que estão hoje entre os de pior trafegabilidade, como por exemplo, entre os rios Gregório e Acuraua, e atualmente o pior de todos: entre Manoel Urbano e Jurupari.
O discurso oposicionista de que ‘muito dinheiro foi gasto e não temos uma BR’ não leva em consideração que há poucos anos, o trecho Porto Velho-Rio Branco tinha uma das piores condições de tráfego e teve de ser refeito mais de uma vez. Somente a partir da consolidação do solo é que a rodovia se torna mais estável, mas ainda assim: ‘toda estrada precisa de manutenção contínua’- palavra de Orleir.
Gladson tem que fazer malabarismo para agradar a oposição ao mesmo tempo em que livra as empresas da família de quaisquer responsabilidades pelo mau estado de conservação da BR 364. Contudo, Gladson rompe com o sentido de continuidade que vinha sendo dado pelos governos petistas no estado. Apesar de pertencerem a um campo político divergente em relação ao ex-governador Orleir Cameli, os governos de Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana, sempre fizeram questão de ressaltar o empenho de Orleir em tocar a obra. O discurso do governo em relação à BR sempre foi a de que houve uma continuidade do trabalho e do empenho na BR entre os governos de Orleir seguidos por Jorge, Binho e Tião.
Eliane no palanque   
O triunfalismo peemedebista conseguiu até espaço no palanque para a candidata derrotada à prefeitura de Rio Branco. Em seu discurso, a deputada até ensaiou uma crítica ao governo, mas ficou somente na percepção popular da importância da BR e das más condições de tráfego que apresenta atualmente. Defendeu a necessidade de que as empresas utilizem tecnologia adequada ao solo desfavorável da região, corroborando com a tese do governo de que os altos custos de execução e a necessidade de manutenção permanente sejam em decorrência do solo acreano.
Coronel Paz e Amor
Até mesmo o verborrágico prefeito José Vagner, vejam só, manteve um tom moderado ao defender a necessidade da manutenção da BR e não pontuou críticas diretas ao governo. Sua fala foi pausada, e as costumeiras agressões foram suprimidas do discurso.
A única exceção foi Petecão. O senador do PSD afirmou que ‘não se podia fiscalizar a BR durante o governo do PT’. No evento, ficamos sabendo pela boca do ministro, que Petecão é um ‘assíduo freqüentador das Alagoas’. Malandrinho.
Sem tornozeleira
O chefe de gabinete de José Vagner, Mário Neto, preso em flagrante em operação da PF assistiu tranquilamente ao evento. Polícia mesmo, só a rodoviária federal.
Apesar da massificação dos meios de comunicação, a presença popular no evento foi mínima. Sobraram as mesmas figuras manjadas de sempre: assessores e funcionários da prefeitura, alguns dos quais com cinco ou seis meses de atraso no recebimento.
‘Agora é diferente’
Durante o evento, os peemedebistas, que foram críticos contumazes da BR quando sob execução do estado, buscaram o discurso de que ‘agora é diferente’.
De fato, esta é a primeira vez que uma ordem de serviço para a BR é dada no mês de novembro. Desta vez, serão gastos cerca de 220 milhões de reais na BR em pleno inverno amazônico. A outra diferença também é que, desta vez, nenhuma das empresas está no Acre. A LCM e a Centro-Leste possuem sede em Belo Horizonte-MG.
Meu zôvo
quintelaO simpático alagoano que ocupa a pasta dos Transportes, Maurício Quintella, do PR, foi CONDENADO em 2014 por participação em esquema de desvio de recursos da merenda escolar da rede pública de Alagoas entre os anos de 2003 e 2005 quando ocupava a secretaria de educação. Quintella foi apanhado pela PF durante a Operação Gabiru e foi envolvido em um episódio de superfaturamento de ovos. Como secretário, autorizou a compra de 90 mil ovos, por 280 mil reais, mas segundo a PF, somente metade foi entregue.
Perguntado sobre quais garantias haviam no contrato da BR para que ‘os mesmos problemas sejam evitados’, o ministro tergiversou: sem apontar culpados, pediu apenas que população, parlamentares e imprensa fiscalizem a execução da obra e exaltou as tecnologias de drenagem que supostamente serão utilizadas pelas empresas licitadas.