3 de novembro de 2016

O golpe do papagaio Desinformado



Um fenômeno que ganhou um espaço notável, nos últimos anos, sobretudo na campanha sistemática de difamação contra a presidente Dilma e o seu governo, foram as frases "de ordem" prontas. Expressões como: "vai pra Cuba"; "abaixo a ditadura comunista"; "aceita que dói menos"; "acabou a mamata"; "vai ter que trabalhar agora"; entre outras, foram amplamente divulgadas em redes sociais e blogs. E essas frases não surgiram do nada. Elas foram elaboradas por profissionais que pensaram muito bem em como potencializar o "estrago" que elas poderiam fazer.
Frases prontas são repetidas, incansavelmente, por pessoas que são pagas para repeti-las, ou, simplesmente, que repetem porque outros repetem. O mais interessante nessa história é que grande parte dessas pessoas não sabe o que está repetindo. Muitos gritam "vai pra Cuba" sem sequer conhecer a verdadeira realidade daquele país. Outros esbravejam "abaixo a ditadura comunista". E não são capazes de definir o que é Comunismo de forma objetiva e informada. E, aparentemente, tampouco sabem o que é uma ditadura, mesmo depois do país ter sido refém de uma no século passado. "Acabou a mamata", outra pérola que aparece frequentemente, é uma expressão que insinua que todos os que apoiam a permanência de Dilma, na presidência, têm algum interesse pessoal nisso. Dilma foi eleita democraticamente para o cargo e nunca houve justificativas legais e legítimas para o seu afastamento. Hoje, já está mais do que claro que se trata de um golpe de cunho político-partidário-elitista. E nada disso tem a ver com "mamata". Pelo menos, não para o povo.
A esquerda também tem as suas expressões preferidas. O "Fora Temer" ecoa por todo o Brasil. Mas poucos se dão conta de que essa expressão afeta somente um dos peões do golpe, Michel Temer, e não o golpe em si. Os golpistas podem muito bem, a qualquer momento, substituir Temer por outro "presidente" mais popular (embora igualmente ilegítimo). E os golpistas continuariam no controle do Poder Executivo.
As frases prontas substituíram o debate. Elas substituíram a argumentação lógica e a conversa civilizada. E a intenção era essa mesmo. Elas foram elaboradas justamente para criar conflito e fomentar o ódio. Elas foram especialmente desenhadas para sabotar, ao máximo, as possibilidades de diálogo e de aprendizado. Ou seja, o objetivo vai muito além da simples ofensa. E essa estratégia funcionou em inúmeros casos. Aproveitando-se de preconceitos, medos e inseguranças, inerentes ao ser humano, os profissionais por trás da vertente midiática do golpe conseguiram disseminar a divisão e o conflito de maneira muito eficiente.
Um país desunido é mais fácil de destruir. Uma população em conflito constante, entre si, é mais fácil de controlar. O importante é que o povo não perceba que o seu verdadeiro algoz é a classe mais rica, responsável pelo golpe. E essa classe está muito feliz, assistindo as olimpíadas de camarote, e contando os ganhos e os benefícios que conseguiram com o governo golpista. Enquanto isso, direitos e conquistas do povo estão sendo diariamente eliminados pelos traidores da democracia.
Agências governamentais como a CIA e o Mossad, que tiveram uma participação ativa e significativa no Golpe de 64 e em todo o período da ditadura militar brasileira, têm grande experiência no controle de populações e na manipulação midiática. Qual é o papel dessas agências no Golpe de 2016? Só o tempo dirá. O que fica claro é que a mídia golpista está sendo muito bem "assessorada". E ela dispõe de recursos significativos. Nada do que é dito é por acaso. Tudo tem uma razão. Hoje, com a quantidade incontável de informações disponíveis na mídia e na internet, torna-se fundamental analisar e refletir sobre o que se lê. Mais do que entender palavras, é preciso compreender as ideias por trás delas. E os impactos que essas ideias têm sobre a realidade. É necessária uma constante análise do discurso.

Na Era da Desinformação, é sempre bom ter em mente o que Malcolm X dizia: "se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar os oprimidos e amar os opressores".