8 de dezembro de 2016

Centrão Quer Vaga de Geddel e Ameaça Temer

Centrão ameaça travar Previdência caso tucano vire ministro

Líderes do chamado "centrão" reagiram à notícia de que Antônio Imbassahy (PSDB-BA) será o novo Secretário de Governo de Michel Temer com a ameaça de travar a Reforma da Previdência, que tem previsão de ser votada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na próxima terça-feira (13).

"A gente vai derrotar a admissibilidade", diz Paulinho da Força (SD-SP), se referindo à função da CCJ de declarar a proposta constitucional ou não.
Folha ouviu outros quatro líderes do grupo, que reúne cerca de 200 deputados de partidos médios e pequenos. Em caráter reservado, eles se manifestaram no mesmo tom.

O grupo diz ver a decisão do Planalto como uma interferência na disputa pela presidência da Câmara em favor de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Imabassahy era um dos nomes cogitados para concorrer ao cargo em fevereiro, o que atrapalharia as pretensões do atual presidente da Câmara. Ao nomeá-lo ministro, segundo o grupo, Temer deixaria o caminho livre para Maia.

Além disso, Maia soma os 48 votos tucanos a seu favor. Com os 28 do DEM e os 66 do PMDB, teria a garantia de 142 dos 513 votos.

O "centrão" almeja o comando da Câmara e cobra neutralidade de Temer na disputa, sob ameaça de rebelião. O grupo integrado por legendas como PP, PR, PSD e PTB soma cerca de 200 votos, mas há integrantes que apoiam Maia.
"Caso seja verdade, tem um desequilíbrio [na disputa]. Mas não acredito que [o presidente da República] faria isso. Seria amadorismo. Não convém. Toda ação provoca uma reação. Isso não é bom e o governo sabe disso", afirmou Jovair à Folha.

Rogério Rosso disse que a indicação de um deputado para um ministério sem um diálogo com a base não faz o perfil de Michel Temer.
"Pelo compromisso que o presidente tem com o diálogo, ele informaria sua base. Ele sabe que um movimento desses pode ser interpretado como apoio [à candidatura de Rodrigo Maia]. Se isso acontecer, vou falar com minha bancada e reavaliar se manterei minha candidatura", disse Rosso.

Um líder do "centrão" que falou sob condição de anonimato disse acreditar que a nomeação de Imbassahy não se concretizaria por causa da revolta "generalizada". Ele ponderou que a circulação do tucano é muito restrita à sua bancada e que ele não circula nem mesmo pelo plenário da Câmara.

APOIO

Defensores de que a Secretaria de Governo não saísse do domínio de seu partido, peemedebistas agora dizem que a cessão do espaço ao PSDB á era esperada.
"O ministério da articulação política não é uma questão partidária. Me dou muito bem com Imbassahy", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-titular da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima.

Cotado para assumir a liderança do PSB no Senado no próximo ano, Fernando Bezerra Coelho (PE) avalia que a escolha de um nome do PSDB para o cargo significa um compromisso "ainda maior" dos tucanos com o governo Michel Temer.

"Assegura apoio do PSDB numa área estratégica. É um gesto do PSDB em relação a Temer. Neste sentido, o presidente ganha mais força no Congresso para aprovar medidas importantes", afirmou o senador.

Um peemedebista diz reservadamente que a mexida de tabuleiro representa uma nova estratégia para o governo Temer. Avalia que é uma tentativa de desobstruir a disputa pela presidência da Câmara e de trazer o PSDB "para a cumplicidade".

Já um deputado da atual oposição diz que colocar o PSDB na Secretaria de Governo pode ser um tiro no pé já que os tucanos querem disputar a Presidência da República em 2018 e preparam-se para deixar o governo a qualquer momento.
O parlamentar lembra que a ex-presidente Dilma Rousseff chegou a colocar Michel Temer para cuidar da articulação política de seu governo e acabou sendo defenestrada do Poder com apoio dele.