Deputado se diz 'homenageado' por apelido 'boca mole' dado por delator

Heráclito Fortes (PSB) diz que apelido era de Tancredo Neves na ditadura.
Parlamentar afirma que ligação com empresa era por atuação parlamentar.

Carlos Rocha e Catarina Costa 
 Do G1 PI
Deputado Federal Heráclito Fortes (PSB) brincou com lista da Odebrecht (Foto: Catarina Costa / G1)
O deputado federal Heráclito Fortes (PSB) disse nesta segunda-feira (19), em Teresina,  se sentir homenageado com o apelido atribuído a ele nas delações de executivos da construtora Odebrecht. O parlamentar comentou que “Boca Mole” era um apelido também atribuído a Tancredo Neves durante o período da ditadura militar e comentou que sua ligação com a construtora era apenas por sua atuação parlamentar.

Héraclito Fortes fez uma brincadeira com a lista apresentada pelos executivos da Odebrecht. “Eu fiquei muito triste. Eu só valia R$ 100 mil, com tudo que eles disseram”, disse o parlamentar.  O deputado federal também comentou sobre seu apelido na lista. “Eu fiquei alegre porque me chamaram de boca mole. Era o apelido que os militares tratavam nas mensagens cifradas o doutor Tancredo na reabertura democrática”, afirmou.

O deputado federal foi um dos 51 políticos de 11 partidos que foram citados por Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht.. Entre as citações estão políticos do PMDB, do PSB e do PP. Na lista apresentada pelo delator há valores e motivação de repasses para os políticos, alguns através de doações eleitorais oficiais e outras através de propina ou caixa 2.

O parlamentar diz que a presença na lista não afeta sua imagem pública. “Eu tenho uma imagem de 34 anos de mandato e 40 anos de vida pública. As pessoas conhecem cada um e em nenhum momento o delator diz que fiz negócios”, disse. Heráclito Fortes negou ainda que a lista prove algum negócio escuso em que ele esteja envolvido. “O delator não diz que troquei emendas, nada. Ele apenas diz que eu sou uma pessoa influente e que era vantagem para a empresa ter próximo a eles um deputado como Herálito Fortes”, declarou.
O deputado citou ainda que sua relação mais próxima com a Odebrecht aconteceu quando entre os anos de 2003 e 2010 quando foi senador e membro da Comissão de Assuntos Exteriores. Heráclito Fortes disse que na época um funcionário da empreiteira desapareceu no Iraque e ele interviu enviando um embaixador ao país.

“Uma coisa que me deixa muito feliz é que ele (Claúdio Melo) cita um episódio que envolvia um funcionário da Odebrecht. Eu era membro da Comissão de Assuntos Exteriores e desapareceu um funcionário no Iraque. Cobrei uma solução e foi enviado o embaixador ao Iraque que trouxe o atestado de óbito. Eu não fiz pela Odebrecht. Fiz pela família”, explicou.

Heráclito Fortes diz que é preciso que as investigações avancem mais rápido e disse que os casos de corrupção estão ligados ao governo passado. “É preciso que se lave isso, se tire essa sujeira de uma vez por todas e quem tiver culpa que pague”, afirmou o deputado federal defendendo também investigações sobre o presidente Michel Temer (PMDB).

Questionado se faltam ainda elementos de prova, o parlamentar se esquivou. “Eu não sou investigador e não tenho a menor condição de dizer isso. Agora, que tem coisas esquisitas, tem”, disse.

Segundo o deputado federal, a Operação Lava Jato começou tarde. “Devia ter vindo há muito mais tempo. É uma vergonha o que sempre aconteceu no Brasil”, comentou.  Heráclito Fortes afirmou que a Lava Jato influenciou, inclusive, na tramitação do Orçamento para 2017. “Depois de muito anos tivemos a aprovação de um orçamento tranquilo que foi o desse ano porque os lobistas das empreiteiras não estavam no Congresso pressionando os parlamentares”, falou.

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