13 de dezembro de 2016

Sem aumento na saúde nos próximos 20 anos, 'conta não fecha', diz Alckmin em Crítica a PEC 55


Governador Geraldo Alckmin concede entrevista coletiva  (Foto: Will Soares/G1)

Governador de São Paulo fez menção, sem citar diretamente, à PEC defendida pelo governo federal que estabelece limite de gastos públicos.

Ogovernador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou nesta terça-feira (13) o congelamento de gastos na área da saúde pelos próximos 20 anos. A contenção nos gastos públicos é defendida pelo governo federal por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC dos gastos. De acordo com o tucano, "a conta não fecha" com a restrição do orçamento.
Alckmin discursou durante cerimônia realizada na sede do Ministério Público, no Centro da capital paulista, nesta manhã. Ele criticou a proposta do governo sem citar nominalmente a PEC.

"Se nós vamos ter por 20 anos nada a aumentar acima da inflação, já começa que a saúde é dolarizada e aumenta acima da inflação. Ela tem custos dolarizados. A demanda cresce, a medicina fica mais sofisticada, a população, mais idosa... A conta não fecha", afirmou.
O governador sugeriu que a ideia da PEC vai contra o que realmente deveria ser feito. "Nós temos que por mais recursos, como São Paulo está fazendo. 1,5% a mais da receita corrente líquida, chegamos a quase 14%. E, de outro lado, tentar administrar da melhor maneira para esses recursos serem muito bem utilizados", completou. 

O tucano disse que vê a administração da saúde pública como "uma dificuldade crescente". Segundo ele, além do possível congelamento de gastos, outros fatores se apresentam como desafios para o estado oferecer um serviço de qualidade à população, como a mudança demográfica.
"O Brasil era um país jovem. Hoje, é um país maduro e caminha para ser um país idoso. Há um estudo que mostra que a pessoa gasta, nos seis meses antes de morrer, o equivalente aos últimos 18 anos da sua vida. Extremamente caro", explicou o governador. 

Segundo Alckmin, acompanhar o avanço da tecnologia também pode ser um desafio com recursos escassos. "Eu me lembro do meu tio-avô. Era um médico com a malinha, o estetoscópio e o esfigmomanômetro. Hoje, um aparelho de ressonância magnética custa 1,5 milhão de dólares. É impressionante. O orçamento do complexo do HC [Hospital das Clínicas] é de 1,5 bilhão de reais".