25 de janeiro de 2017

O Erro não está na Aliança com Rodrigo Maia, o Erro foi 13 anos sem as Reformas Esperadas


Depois de  quase 13 anos no poder, a esquerda vivem hoje uma crise de credibilidade e reafirmação ideológica sem precedentes. Essa inflexão estava visível desde antes de pouco depois da eleição de Lula em 2002, quando tivemos a chance de implementar o programa que ganhou a mente de milhões de brasileiros.

Quando a esquerda fez a opção de visionar para a disputa do Estado, o combustível motivador seria as reformas, tanto da Mídia, política, sociais, agrárias, científica e outras; que certamente deveriam ser pautas centrais do programa da esquerda. 

Aquilo que foram as forças sociais pulsantes que geraram o PT e ascendeu Lula - greves, movimento popular, comunidades de base – deixaram de ser prioridades. 

Quando o governo Lula trouxe o PMDB com Sarney de mal e cuia para dentro do poder, assumira o risco de retroceder, ou mesmo nem avançar naquilo que seria possível, quando se tinha 70% de aceitação popular e um congresso nacional rendido as tomadas de decisões.

O foco passou a ser ganhar prefeituras, governos, aumentar a bancada parlamentar para chegar à Presidência da República, tudo que poderia acontecer, sem descuidar da luta social. O discurso era chegar à Presidência para fazer as mudanças necessárias, incluindo mudar o sistema político brasileiro, mas o que aconteceu é que o PT se adaptou a esse sistema, se adaptou às alianças conservadoras para estabelecer governabilidade.  

Apesar de avanços do ponto de vista de programas sociais e de investimentos públicos, em 13 anos de poder não foi feita nenhuma reforma estrutural e não se combateram os privilégios históricos da elite brasileira. 

Nesse sentido, não é possível dizer que o governo petista foi um governo de esquerda.
A ESQUERDA não construiu uma posição própria por fora do governo e tomou como seu o conjunto das políticas e das opções assumidas pelo governo.

O resultado de tudo isso está aí, derrocada vexatória e um histórico Impeachment na conta da inabilidade de achar que fazer alianças eleitoreiras, mudaria o curso social da luta de classe brasileira.

Mas para a esquerda brasileira sair do atoleiro em que está hoje é preciso ter uma ampla unidade de ação entre os setores que representam força real no movimento social. O isolamento não cabe nessa hora, caso contrário; assumiremos o risco de voltar a estaca zero, com possibilidade inclusive de assistirmos partidos históricos tendo seus registros cassados. 

Portanto aos valentes sem armas digo o seguinte: não existe outra saída diante da conjuntura posta na disputa do congresso. A saudosa esquerda não tem forças para fazer o embate, prova disso é que os conservadores se dividiram em dois blocos: Centrão - Formado pela bancada do Boi da Bala e da Bíblia, que é o motor do retrocesso social e a velha direita, aqueles que até um dia desses estavam compondo com o PT.

Como enfrentar esses dois polos, se os partidos de esquerda sequer alinharam uma unidade? o relatório do senador Jorge Viana - PT, extingue vários partidos de esquerda; inclusive o PCdoB, que tenta na aliança com o golpista Rodrigo Maia do DEM, a garantia de sua sobrevivência.

Antes da valentia, a esquerda deveria fazer uma autocrítica sem máscara. Deveria moralizar seus quadros, expulsar aqueles que se lambuzaram na lama do poder e fizeram tudo aquilo que sempre combateram. 

Apoio a decisão do PCdoB, compreendendo a conjuntura, pois não tem alinhamento programático com a direita, temos uma tática para garantir a continuidade de nossa luta política.

Francisco Panthio
Militante do PCdoB - Acre


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