Blairo Maggi tem codinome 'caldo' e teria recebido R$ 12 milhões

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é investigado em inquérito junto com o deputado Orcírio Miranda.
Segundo os delatores da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, em 2006, o ministro e o deputado receberam, respectivamente, R$ 12 milhões e R$ 400 mil em propina. Eles eram candidatos aos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O dinheiro foi repassado, segundo o Ministério Público, para facilitar o pagamento de dívida dos estados à Odebrecht pela execução de obras públicas.
Atual ministro, Blairo Maggi é identificado como "caldo" no sistema de propina da Odebrecht. Orcírio Miranda é "pescador".
O alto escalão da política brasileira foi surpreendido nesta terça-feira (11) pelo vazamento de 83 inquéritos da operação Lava Jato autorizados pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Entre os citados, está o ex-governador de Mato Grosso e atual Ministro da Agricultura, Blairo Borges Maggi. O ex-chefe do Executivo estadual teria recebido, conforme delação premiada de ex-membros da construtora Odebrecht, R$ 12 milhões para a campanha ao governo em 2006. Em nota, Blairo lamentou as acusações e disse que causa constrangimento ter a honra e dignidade maculadas.
 
Supremo determina abertura de inquérito contra Blairo na operação Lava Jato


Maggi foi citado nas colaborações firmadas por João Antônio Pacífico Ferreira  e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, membros da diretoria da construtora.

Os repasses, conforme delações, eram implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Na lista suja, o ex-governador aparece com o apelido de “Caldo”. Além de Maggi (Caldo), José Orcírio Miranda dos Santos, candidato ao governo do estado do Mato Grosso do Sul, também no ano de 2006, é citado pelos mesmo diretores.
 
“Segundo o Ministério Público, narram os colaboradores o pagamento de vantagem, no contexto das campanhas eleitorais de Blairo Maggi e José Orcírio Miranda dos Santos, respectivamente ao Governo dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no ano de 2006. São relatados pagamentos na ordem de R$ 12.000.000,00 a Blairo Maggi e R$ 400.000,00 a José Orcírio Miranda dos Santos, repasses implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, sendo os beneficiários identificados no sistema ‘Drousys’ como ‘Caldo’ (Ministro Blairo Maggi) e ‘Pescador’ (Deputado Federal ‘Zeca do PT’)”, afirma trecho do documento assinado por Fachin no dia 4 de abril.
 
Blairo Maggi passou a ser alvo de inquérito por, supostamente, “Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”. Ainda conforme o Ministério Público, o político pode ser enquadrado por “ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”.

Ao total, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de inquérito contra nove ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das duas Casas.

As decisões do magistrado do STF foram obtidas com exclusividade pelo portal de notícias Estadão.
 
O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no STF.
 
Também serão investigados no Supremo um ministro do Tribunal de Contas da União, três governadores e 24 outros políticos e autoridades que, apesar de não terem foro no tribunal, estão relacionadas aos fatos narrados pelos colaboradores.

Outro lado

Em nota, publicada em primeira pessoa, Blairo Maggi lamenta que "meu nome tenha sido incluído numa lista de pessoas citadas em delações da Construtora Odebrecht, sem que eu tivesse qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo para me defender. Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na qual não sei sequer do que sou acusado".

O ministro ainda esclarece que: "Não recebi doações da Odebrecht para minhas campanhas eleitorais, não tenho ou tive qualquer relação com  a empresa ou os seus dirigentes e tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado".

Confira a nota na íntegra:

Lamento que meu nome tenha sido incluído numa lista de pessoas citadas em delações da Construtora Odebrecht, sem que eu tivesse qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo para me defender. Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na qual não sei sequer do que sou acusado. Mesmo assim, gostaria de esclarecer que:
1.    Não recebi doações da Odebrecht para minhas campanhas eleitorais.
2.    Não tenho ou tive qualquer relação com  a empresa ou os seus dirigentes.
3.    Tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado.

Blairo Maggi

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