26 de outubro de 2017

Câmara Federal reprisa “novela da vergonha” para milhões de brasileiros

Por Nelson Liano
Mais uma apresentação dantesca da maioria dos deputado federais brasileiros que votaram pela não continuidade das investigações ao presidente Michel Temer(PMDB). 
Apesar das provas conseguidas pelo Ministério Público, delações e indícios claros de corrupção, a maioria dos parlamentares preferiram manter o presidente. É a terceira vez em pouco mais de um ano que o povo brasileiro assiste estarrecido ao vivo uma novela recheada de cenas de hipocrisia, mentiras, traições e assassinatos lentos e graduais da vontade popular. 
No primeiro capítulo os nossos “canastrões” deputados federais, em 2016, afastaram a presidente Dilma (PT) baseados num processo elaborado pelo PSDB sem nenhuma prova contundente de crime. 
No capítulo seguinte, no primeiro pedido de investigação de Temer, em agosto de 2017, ainda que houvessem gravações de conversas comprometedoras, malas de dinheiro em movimento e provas contundentes resolveram absolve-lo. Um mês e meio depois, nesta terça, 25, um novo capítulo de uma novela mal ensaiada, com performances ridículas dos nossos atores parlamentares, a história se repetiu. Uma espécie de vale a pena ver de novo em que os telespectadores brasileiros assistem os vilões se darem bem no final. 
Para a maioria da Câmara Federal o presidente Temer é inocente e não deve ser investigado apesar de todos os indícios. Esperemos quantos capítulos ainda teremos que assistir dessa novela até o final do atual mandato em dezembro de 2018. Mesmo porque o fato da Câmara liberar o presidente não quer dizer que os crimes não continuarão a acontecer e que não serão investigados. Muitas vezes o crime pode compensar, principalmente, na política.
Um peso…
Você que está lendo sabe exatamente o que é “pedalada fiscal”? Acredito que a maioria não sabe porque o tema é muito complexo. Agora, todos sabem o que é a compra de vantagens para fazer obras públicas com dinheiro de corrupção. Também reconhecem a formação de uma quadrilha. Quem ouviu as gravações e as delações também sabe reconhecer claramente os crimes cometidos. Pois quem deu a tal “pedalada fiscal” foi condenada.
…duas medidas
Já o Temer envolvido em tantos indícios de crimes foi absolvido. E pasmem: por duas vezes. Mesmo com uma aprovação popular na faixa de ridículos 5%, Temer conseguiu sobreviver mais uma vez. Está provando ser um habilidoso articulador que conhece todos os caminhos e atalhos do Congresso Nacional para se manter no poder contra a vontade popular.
Julgamento político
A presidente Dilma (PT) caiu por não ter conseguido manter a base parlamentar que tinha quando foi eleita em 2014. A falta de habilidade dela e dos seus principais assessores foi assustadora. Trataram os aliados com arrogância e não souberam implementar uma política econômica que minimizasse a crise econômica que se instalou não só no Brasil, mas em todo mundo.
Julgamento político 2
Por outro lado, Temer tratou de contentar as suas bases no Congresso Nacional. Distribuiu vantagens para a sua “turma” e seduziu adversários. Colocou a pessoa certa no comando da economia para manter o mínimo de estabilidade. E apesar da baixa popularidade, da aprovação de leis contra os trabalhadores e de todos os indícios de corrupção, se manteve no cargo.
Mentiras ao vento
Praticamente todos os deputados federais que votaram pela não investigação do Temer deram uma justificativa diferente do objeto do processo. Alegavam a melhoria da economia e a geração de empregos no país. Mas a acusação é de corrupção e formação de quadrilha e não tem nada a ver com a economia.
Regras do jogo
No Parlamento quem dá as cartas é a maioria. Esse atual Congresso Nacional foi eleito pelos votos dos brasileiros. É portanto um retrato político endossado pelas urnas em 2014. Se as coisas mudaram e o povo brasileiro se deu conta da besteira que cometeu poderemos conferir nas próximas eleições.
Apego ao sofrimento
Quem como eu já cobriu dezenas de eleições sabe como as coisas funcionam. Aqueles que têm mais dinheiro e saem por aí distribuindo vantagens pessoais(às vezes na base de 50 reais) são os com mais chances. E esse mesmo eleitor que vende tão barato o seu voto reclama dos direitos que lhe são tirados. Só posso chegar à conclusão que gostam de sofrer.
Renovação urgente
Teria que haver uma grande renovação no Congresso Nacional com políticos mais comprometidos com as reais necessidades da nossa sociedade. Mas na hora do voto ainda valem as “pequenas vantagens” que se convertem ao longo do tempo em “grandes desvantagens”.
Tudo na mesma
Então se tivesse que fazer uma previsão de quem serão os eleitos para deputado federal no Acre nas próximas eleições apostaria numa renovação muito pequena. Mesmo porque a mal fadada Reforma Política não saiu do papel beneficiando os candidatos que têm mais dinheiro para a compra do eleitorado.
Entre os votantes acreanos
O deputado federal Flaviano Melo (PMDB) é muito próximo ao presidente Temer e votou naturalmente a seu favor. O mesmo Jéssica Sales (PMDB) que tem conseguido verbas extra-orçamentárias nos ministérios. Obviamente que a
bancada PT-PC do B votou contra Temer. A surpresa foram os votos dos oposicionistas Major Rocha (PSDB) e Alan Rick (DEM) que preferiram a continuidade das investigações contra Temer.
Conclusão
Então se dependesse dos votos dos deputados federais acreanos Temer seria afastado. O interessante é que daqui dois dias ele estará comemorando a sua vitória no Acre a convite do governador Tião Viana (PT) para debater sobre a segurança pública nas fronteiras. Chegará mais presidente do que nunca com outra triunfo significativa no plenário da Câmara Federal. São esses jogos da política que deixa a população sem entender nada. Mas quem quiser mudar alguma coisa que pense bem antes de dar o seu próximo voto a um candidato a federal.

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