13 de outubro de 2017

Exploração das Companhias Aéreas ao povo do Acre só aumenta



Por: Nelson Liano Jr.
 
Já escrevi centenas de vezes que viajar de avião no Acre não é luxo, mas sim uma necessidade. Devido a sua localização geográfica no extremo ocidental do Brasil as distâncias terrestres para os grandes centros econômicos do Centro-Sul são imensas. Então a saída são as viagens aéreas. Mas o preço das passagens praticadas pelas companhias Gol e Latam que operam no Estado são absurdas e proibitivas para um cidadão comum. Na maioria das vezes uma ida e volta para São Paulo, Rio ou Brasília custa mais do que uma viagem de uma dessas cidades

para a Europa. Qual a lógica disso? Obviamente que um trecho aéreo entre o Rio e Paris, por exemplo, é muito maior do que de Rio Branco ao Rio. E por que custa mais caro vir pro Acre? Outra questão, os preços das passagens aéreas de Porto Velho (RO) para o Centro- Sul, que fica a 500 quilômetros da Capital acreana, custam menos da metade. É um absurdo que prejudica enormemente a população do nosso Estado. 

Tanto no aspecto de integração econômica quanto social e cultural com o resto do país. Que empresa vai querer fazer negócios com o Acre, tipo abrir uma filial, com um custo tão alto de transporte aéreo? E quando alguém por motivos de doença, de negócios ou familiar precisa fazer uma viagem aérea urgente para qualquer lugar fora do Estado? Tem dias que uma simples “perna” de ida para Brasília chega a custar R$ 4 mil, se comprada em cima da hora. Os preços “normais” de uma ida variam na faixa entre R$ 900 e R$ 1.700 nas passagens compradas com antecedência de uma semana a 10 dias. Não tenho dúvida que essa “carestia” é uma exploração aos acreanos, mesmo porque todos os voos estão sempre lotados para Rio Branco ou Cruzeiro do Sul.

Tentativas por via política
 
O senador Jorge Viana (PT) já bateu nessa tecla várias vezes. Realizou reuniões com as empresas aéreas para tentar mudar esse quadro. Assim como o senador Gladson Cameli (PP) e outros representantes da nossa bancada federal. O próprio Governo do Estado diminuiu o ICMS do valor dos combustíveis da aviação para tentar mudar essa situação, mas tudo continua igual ou até pior.

Desintegração
 
Mesmo os voos entre cidades amazônicas custa o “olho da cara”. Tem dias que é mais barato viajar de Rio Branco para São Paulo do que para Belém (PA) ou Manaus (AM). Mesmo o trecho para Porto Velho é caríssimo e faltam aviões nessa rota. Como falar em integração econômica regional com uma situação assim? E tente comprar uma passagem da Capital para Cruzeiro do Sul, em cima da hora, para ver quanto custa. Enquanto as empresas aéreas enriquecem os acreanos continuam a sua sina histórica de isolamento.

Abertura de mercado
 
O Brasil vive um paradoxo. O país é supostamente capitalista, mas quando interessa tem leis similares ao socialismo. Por exemplo, não quiseram abrir a livre concorrência para empresas aéreas estrangeiras fazerem voos domésticos, o que certamente faria o preço dos bilhetes caírem. Uma reserva de mercado que só beneficia os grandes conglomerados “capitalistas” que continuam a explorar os brasileiros.

A hora da união
 
Está na hora de deixarem as questões políticas partidárias para enfrentarem esse problema em benefício dos acreanos. Deputados federais, senadores e o Governo do Estado precisam pressionar o Governo Federal para aplicar sanções nessas companhias aéreas que operam no Acre. Acredito que o diálogo tenha se esgotado, porque a coisa não muda.

Caminhos fechados
 
Essa situação prejudica enormemente o desenvolvimento econômico e social do Acre. Fazemos parte de uma Federação e deveriam existir leis que garantissem o direito dos cidadãos de ir e vir dentro do Brasil sem serem explorados. As ações precisam ser urgentes.

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