10 de novembro de 2017

As Redes Sociais estão validando o discurso do ódio


A globalização e a internet, juntas, possibilitam que muitos se expressem quase livremente. Porém, por não aceitarem que outros pensem diferente, muitos confundem dar opinião com espalhar ódio. Isso é, usam do direito à liberdade de expressão para discriminarem alguém pela orientação sexual, opção político-ideológica, etnia, entre outros. 
É muito comum. nas redes sociais, pessoas dizendo que “bandido bom é bandido morto”, que “foi estuprada porque merecia”, que “gays são promíscuos”, sempre reforçando falsos estereótipos e lamentáveis alusões à violência. 
Nas redes sociais, é possível expressar o seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, receber aplausos pelos seus amigos e seguidores, e se sentir de alguma coisa validado. Ou seja, as redes sociais produzem uma espécie de validação do seu ódio que era muito mais difícil antes de elas existirem e se tornarem tão importantes na vida das pessoas.
Isso não tem remédio porque não podemos voltar atrás, e essa é certamente a parte menos interessante das redes sociais, que em contrapartida têm efeitos sociais muito positivos.
É uma coisa um pouco ridícula ouvir isso de um psicanalista, mas eu acho que o discurso de ódio nas redes sociais é algo que deveria ser perseguido, deveríamos ter limites claros ao que é o campo da liberdade de expressão, que é intocável, e o momento em que aquilo se torna uma ameaça e deveria receber imediatamente a atenção da polícia e do Judiciário.
Porém, apesar de discursos de ódio não ferirem fisicamente, agridem psicologicamente. 

Ainda, muitos desses discursos são apenas reflexo do ódio que ainda prevalece na maioria das pessoas. Atentados, ataques e violência são consequências de toda uma forma de pensar baseada no ódio ao diferente.


É bom lembrar que utilizar a liberdade de expressão, direito fundamental previsto pelo artigo 5º da Constituição Federal de 1988, para ofender a dignidade de alguém é crime, já que a dignidade da pessoa humana é também outro direito previsto na legislação. Em plena globalização, que permite que todos tenham informação de todos os cantos do planeta, a falta de bom senso e a ignorância acabam ironicamente pesando mais.

É trágico ter de pedir às pessoas para se colocarem no lugar das outras, para não espalharem ódio. Enquanto uma pessoa não imagina o estrago que um discurso de ódio causa, os atentados continuam, a violência doméstica acontece, o diferente morre.
Vamos mais lá! Mais amor, menos ódio!

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