16 de novembro de 2017

Quem se classifica por último...

Viva o Povo Peruano

Divulgação
O que nos une é o alento, amor e paixão futeboleira, que não muda jamaisO que nos une é o alento, amor e paixão futeboleira, que não muda jamais

Trocando em miúdos: desde 1982 que o Peru não jogava uma Copa, quando foi eliminado na primeira fase, talvez sendo o carma de ter entregue o jogo pra Argentina o famoso "jogo do trigo", os 6-0. E agora se tornou a última seleção a se classificar para a Copa da Rússia, em 2018, que deve estar comemorando até agora com toda razão.

Como era de se esperar, a torcida foi em peso, horas antes já havia festa pelas ruas do país. Até a bandeira chegou de uma maneira um tanto inusitada: de helicóptero. O técnico Ricardo Gareca falou antes do jogo e ressaltou a importância da partida e mais ainda, do futebol. “Temos até mesmo o aspecto social como entusiasmo. As crianças peruanas voltaram a acreditar no futebol do país”.

Apesar de quase ninguém estar preocupado com este fato, ainda mais em São Paulo, já que o Corinthians foi campeão brasileiro com três rodadas de antecedência (e sim, eu creio que devam estar comemorando, se o Juventus fosse campeão eu também estaria pelas ruas até agora), deveríamos estar dando total valor. Afinal, são cinco países sudamericanos na Copa. Cinco! Só isso nos deveria deixar alegres pra burro ao ponto de nos emocionarmos, já que somos unidos pela emoção de ser sudaca, frente ao mundo.

O Brasil passa por sérias crises, seja econômica, política, futeboleira, mas principalmente identitária. Não nos identificamos com nada, não pertencemos a nada, inclusive a nós mesmos. Seguimos a esmo, aos mandos e desmandos dos ianques. Ou vai me falar que você viu mais notícias sobre o Peru estar na Copa nas redes sociais do que quando os EUA ficaram fora da Copa, ainda por um capricho do destino por um muro e por um México?


Sempre quando tem algum sul-americano superando seu limite, principalmente no futebol me encho de alegria e me lembro do Drummond no livro “Quando é dia de futebol’’, quando ele fala sobre a Copa de 86 “Viva Maradona! Mas viva, sobretudo, o futebol argentino, que demonstrou mais uma vez sua força de conjunto, numa partida que coroou brilhantemente o longo esforço ao longo da Copa do Mundo. Foi uma vitória merecida, que nós aqui em casa acompanhamos reunidos, na maior torcida pela Seleção de vocês, depois que se desvaneceram as esperanças no time brasileiro. E que jogo emocionante o de ontem, hein? Ficamos aflitos quando a Alemanha empatou 2 a 2, mas felizmente Maradona fez aquela jogada genial, criando condições para o gol de Burruchaga selar a decisão final. Parabéns, meu caro!” A citação vale pela emoção, pela sinceridade da torcida. Afinal, se tem algo que nos pertence é o continente. Somos diferentes? Sim, somos tantas Américas Latina mas sempre em uma só. O que nos une é o alento, amor e paixão futeboleira, que não muda jamais.


*Guadalupe Carniel é jornalista, pesquisadora e autora do blog Morte Súbita.

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