À frente da Secretaria de Governo, Carlos Marun será responsável pela articulação política do governo. Caberá a ele a interlocução entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
O nome de Marun para o ministério já era cotado desde novembro e chegou a ser anunciado nas redes sociais do Palácio do Planalto.
A mensagem, contudo, foi logo apagada. Isso porque houve reação de Imbassahy, que ganhou uma pequena sobrevida no cargo.
A Secretaria de Governo
Como ministro, Marun terá como principal desafio neste ano a busca por votos a favor da reforma da Previdência Social.
A expectativa é que ele melhore o ambiente na bancada do PMDB e no "Centrão" a favor da reforma.
Há uma avaliação no Palácio do Planalto de que Imbassahy já estava inviabilizado na funçãopor não ter interlocução com o "Centrão" e porque só conversava com uma parcela do PSDB.
Durante a análise da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, inclusive, Imbassahy foi esvaziado pelo "Centrão", o que levou o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, a assumir a articulação política.
Perfil
Integrante da "tropa de choque" que atuou na Câmara para barrar as denúncias da Procuradoria Geral da República contra Temer, Carlos Marun está no primeiro mandato como deputado federal e é o atual vice-líder do PMDB na Casa.
Marun também foi o presidente da comissão especial que analisou a reforma da Previdência.
O futuro ministro também integrou, entre 2015 e 2016, a "tropa de choque" que defendia o hoje deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara.
Repercussão no PSDB
Após a escolha de Marun para a Secretaria de Governo, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-presidente interino do PSDB, avaliou que a saída de Antonio Imbassahy "já estava em tempo".
"Ele demorou demais e tomou uma decisão tardia, mas antes tarde do que nunca. Já existe, naturalmente, a saída do governo. Amanhã [9, data da convenção nacional do PSDB] nós não somos base do governo", disse.
Em seguida, o líder tucano da Câmara, Ricardo Tripoli (SP), afirmou que o desembarque do PSDB do governo, assim como a saída de ministros, são "página virada" e nem precisam ser discutidas na convenção.
"Para o partido, já era página virada essa questão da saída dos ministros. Acho que, aos poucos, vai se consolidando aquilo que o partido espera, que obviamente é não participar do governo, mas apoiar as reformas e medidas que são fundamentais para o Brasil", afirmou.